| As classes pequenas permitem atenção individualizada do professor. |


Dias: 24/10 e 25/10/2011
Local: Biblioteca Pública do Estado
Cidade: Salvador - BA
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As tendências da educação contemporânea apresentam alguns pontos de convergência, os quais julgo de extrema importância como, por exemplo, a necessidade de ensinar criticamente, a diluição das fronteiras geográficas, o respeito às diversidades culturais, sociais, políticas e religiosas, a relação da educação escolar com a vida e a importância da ética.
Algumas décadas atrás, McLuhan já apontava para a necessidade de o homem compreender as mudanças de ordem social, política e econômica contemporâneas para perceber como elas poderiam afetar a educação e chegar à conclusão de que o espaço de aprendizagem não ficaria limitado à sala de aula. Ele também já indicava a necessidade de a educação contemplar a multiplicidade de linguagens e tecnologias. As novas tecnologias permitem a quebra de fronteiras e um alcance maior da educação, o que também vai ao encontro da educação popular, que ganhou em diversidade e vem atravessando fronteiras.
Edgar Morin também afirma, na definição dos "sete saberes para a educação do futuro", que é essencial que se reflita criticamente, que se fique atento ao erro e à ilusão, que se veja o conhecimento de forma global (e não fragmentada) e que se pense na condição humana. Além disso, ele chama a atenção para a importância de o homem se ver como um cidadão do planeta, que tenha coragem para enfrentar as incertezas buscando a convivência harmônica, o que só se consegue com a ética.
A educação para a compreensão também é um ponto comum entre essas tendências, pois, só através dela, é que podemos alcançar a possibilidade de se desenvolver nos alunos o pensamento crítico, que, por sua vez, vai possibilitar uma educação que, alicerçada na ética, levará à construção de uma sociedade terrena mais humana.
Se pensarmos nos Quatro Pilares da Educação (Unesco- Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI), “aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver com os outros e aprender a ser”, vemos que eles dialogam com as idéias defendidas por McLuhan e Edgar Morin e com os princípios da educação popular: uma educação que leva ao autoconhecimento, ao conhecimento do outro, ao respeito mútuo e à convivência harmônica para a construção de um mundo mais igualitário e justo.
A Educação à Distância, forte tendência da educação contemporânea, tem um papel importante para a concretização dos objetivos propostos por esses pensadores, pois facilita o alcance da educação, quebrando fronteiras não só geográficas, mas também, sociais e culturais.
É claro que as condições para que essas tendências sejam postas em prática no mundo variam muito de país para país, considerando-se o contexto político, econômico e cultural. O que é válido, no entanto, é que o mundo todo (ou quase todo) avalia essas tendências. Como educadores, temos de acreditar que é possível fazer transformações e habilitar nossos alunos para que eles possam, por sua vez, continuar buscando viver num mundo mais harmonioso.
Débora Guimarães, diretora e professora de Português
07/06/2011
“Olá, Usuário! Eu sou o seu computador. Qual o seu login?”.
Você pode até achar fictício um diálogo entre máquina e homem, mas isso acontece sem percebermos. Um diálogo pode ocorrer de diversas formas, inclusive subjetivamente. E é o que acontece hoje em dia com nossas crianças e seus fiéis computadores. Inconscientemente, elas conversam, brincam e desabafam com seus computadores, muitas vezes, por não terem com quem fazer isso.
Não é difícil encontrar essas poderosas e milagrosas máquinas em farmácias, supermercados, hospitais, lojas e até em oficinas mecânicas de beira de estrada. Na escola? Claro, é imprescindível ter computadores lá, mesmo que não se saiba ao certo por que ou para quê.
A verdade é que computadores se proliferam no mundo moderno como uma verdadeira “epidemia”. Já somos até chamados de Sociedade da Informação! Também é fato que essa epidemia não tem cura. E lembre-se: epidemia é epidemia, pode chegar a qualquer lugar, inclusive na sua casa. E o que isso quer dizer? Quer dizer que se você ainda não tem um computador em casa, logo terá. Pelo menos um.
Ele já faz parte da família, é um membro importante. Ele é a babá eletrônica que toma conta das crianças quando os pais não estão em casa, quando estão trabalhando ou mesmo quando estão por perto, mas ocupados com outras tarefas que não a de lhes dar atenção, de tocá-los, de saber como foi o seu dia na escola. Não é preciso fazer nada disso, afinal o computador e a Internet estão aí para isso. Tem sempre alguém no MSN do seu filho “solicitando a atenção” dele. E ele, numa tentativa de estabelecer um contato que julga ser físico e que na verdade não passa de virtual, aciona a sua webcam para ver e ser visto por alguém que almeja ver a sua imagem, proporcionando-lhe então a tão desejada sensação de ser o foco da atenção de alguém, mesmo que este alguém não seja o seu pai, a sua mãe ou alguém da sua família. Quanto ao seu dia na escola, os pais não precisam indagá-lo, pois os contatos de seu filho no MSN o fazem eficientemente.
Tudo isso parece ser muito prático e conveniente diante de uma vida moderna e corrida, regida pela globalização, onde um dos princípios é estar constantemente preparado para competir, em todos os sentidos. Os pais precisam estar sintonizados com o que acontece no mundo “lá fora” e acabam por se esquecer do que se passa “lá dentro” da cabecinha de seus filhos.
Você já parou para pensar sobre o tempo que seu filho passa em frente ao computador? Já se perguntou por que ele gosta tanto desse brinquedinho que muitos acreditam ser fundamental para o seu desenvolvimento intelectual e acadêmico? As crianças, hoje em dia, abrem mão de brincar de futebol, de bolinha de gude com seus amigos ou de soltar pipa com o vizinho, e fazem isso sem titubear. E sabe por quê? Porque podem fazer tudo isso num único lugar e sem desprender o menor esforço: nos seus quartos, com o seu melhor amigo, o computador. Afinal, esse amigo está sempre disponível e nunca vai lhes dizer “não, não estou com vontade de brincar agora” ou “não posso, tenho que trabalhar”.
Em suma, o computador é passivo, não tem força perante a vontade da criança. É o momento em que ela se sente no poder, no controle de todo um mundo que se apresenta através de uma tela. E nesse mundo virtual há personagens e elementos interessantes e não-interessantes. Os que não interessam... Bom, basta um clique para deletá-los e então ter o seu mundo perfeito. Se um bate-papo não está mais atraente, simplesmente abandona-se a conversa e seleciona-se outro alguém, dentre os milhares disponíveis, tudo isso de forma anônima, sem se expor, sem mostrar sua cara. Mas sabemos que no mundo real isso não existe, temos que conviver com o que nos agrada e o que não nos agrada, com a vontade alheia, temos que respeitar os limites da individualidade do outro, de ouvir e não somente ser ouvido. E essa natural discrepância entre o real e o virtual lhes causa uma verdadeira turbulência emocional, muitas vezes imperceptível.
Uma criança de 9 anos de idade não tem, nem de longe, discernimento para compreender tal questão. E quem poderia ajudá-la nisso tudo, numa primeira instância, é a família. E aí chegamos ao epicentro de toda essa discussão: que tipo de relação há entre você – pai / mãe – e seu filho, que não lhe permite uma efetiva aproximação afetiva?
O papel da família vem sendo absurda e silenciosamente desempenhado cada vez mais pela máquina, seja essa máquina aqui interpretada como sendo o computador, o video game, o celular ou qualquer outro artefato eletrônico. O fato é que as crianças vêm estabelecendo uma nociva e ilusória relação de confiança e afeição com esses novos e sempre fiéis amigos, pois estes nunca lhes dirão “não, agora não posso!”.
Muitos pais estão sempre ocupados, sejam trabalhando, sejam envolvidos em compromissos sociais, enquanto seus filhos tentam demonstrar, das mais diversas formas, sua carência de atenção. Isso constitui um claro conflito de interesses: a criança com seu desejo voltado à atenção dos pais e estes, por sua vez, direcionando todos os seus esforços para o crescimento profissional como meio de garantir um futuro melhor ao seu filho, acreditando que dessa forma pode demonstrar seu amor. Mas será que isso é suficiente? Não. Não, porque somos todos atores de um processo chamado educação, no qual a família desempenha o insubstituível papel de manter, em qualquer lugar e época, uma atmosfera favorável ao crescimento pessoal da criança, atuando como principal referência em qualquer âmbito de sua vida e isso não se resume apenas ao amparo financeiro ou material, mas também - e principalmente - aos valores, aos princípios morais que farão desta criança um ser humano verdadeiramente bem sucedido, capaz de contribuir para um mundo melhor, de interceder na sociedade a qual está inserido em prol da coletividade e em detrimento da visão egocêntrica, que tanto tem penalizado a humanidade.
É muito mais saudável entendermos o computador como um advento que viabiliza o estreitamento de relações e não como um substituto das relações interpessoais, muito menos familiares. Contribui para a vida acadêmica, mas não substitui o livro e o professor. É um instrumento de entretenimento, mas não é o único. Enfim, o computador não é pai, nem mãe. Ele pode, sim, ser parceiro na educação de seu filho, como também pode ser seu inimigo nessa importante empreitada que é educar. Tudo vai depender da sua atitude e postura nesse triângulo amoroso: você, seu filho e o computador.
Decerto que há equipamentos para realizar tarefas que antes somente o homem poderia realizar, mas ainda não inventaram uma máquina de “dar amor e carinho”. E não se pode delegar essa responsabilidade ao computador. Assim como qualquer outra máquina, ele não é capaz de lidar com sentimentos humanos.
Danilo Ribeiro, professor de Computação
21/03/2011
Nós, como senhores da História, estamos presenciando a mais ampla revolta popular vista nos últimos séculos, nas terras de Alá.
Fruto da união entre a elite do capitalismo ocidental (E.UA e U.E.) e as elites locais, essa explosão social teve como origem a exploração desmedida (re) implantada a partir dos anos 90 do século passado “por aquelas bandas”.
Ditaduras foram incentivadas (Argélia) convertidas (Líbia) e financiadas (Egito), monarquias repressoras (Arábia Saudita e Jordânia) foram protegidas e armadas, sendo que tudo isso no intuito de garantir a estabilidade necessária para o desenvolvimento do modelo Neo-Liberal.
A vitória do” rei mercado” além das mazelas intrínsecas a esse modelo (claramente expostas pós 2008) aprofundou as já existentes em qualquer ditadura, levando aquela população ao desespero e à revolta.
O Brasil correu um grande risco (?) quando, a partir de 1994 “adotou” esse modelo, gerando o desespero do desemprego, a angustia das filas da saúde e da educação e a sensação de injustiça nas “periferias”.
O reinado do mercado ainda vigora no Brasil e o massacre de jovens entre 15-25 anos demonstra um estado (ou Estado?) de quase guerra civil com mais de 40 mil mortos/ano por violência. Pesquisa apresentada pelo governo no pré-carnaval 2011 expõe a urgência das ações sociais postergadas nesses últimos 50 anos, destacando-se nesse cenário a melhora qualitativa exatamente da saúde, da educação e dos salários.
O futuro do Oriente Islâmico passa necessariamente por uma democratização sócio-econômica nos seus meios de produção ou no resultado da riqueza gerada por sua população, visando recuperar rapidamente um horizonte esperançoso e ao mesmo tempo praticável.
É claro que varias questões políticas, não tratadas durante esses longos governos, virão a tona, como a influência religiosa e as subdivisões dessas sociedades em clãs, tribos e minorias das mais variadas origens e vertentes além das re-imposições internacionais.
Nesse momento de pura dialética não custa lembrar...
“Alá lá lá ô ô ô ô.
Mas que calor ô ô ô ô...
Viemos do Egito”...
Luiz Fernando, professor de Sociologia





